HERÓIS SEM CAPA
Fernanda Verde
A heroína deste mês é Fernanda Verde, uma figura importante do trail, em particular do trail jovem. Movida por uma paixão que vai muito além do desporto, Fernanda vê no trail running um verdadeiro instrumento de transformação humana. Mais do que formar atletas, dedica-se a formar pessoas, acreditando profundamente que o desporto pode devolver confiança, autoestima e propósito a quem o pratica. A sua motivação nasce do desejo de abrir caminhos, criar oportunidades e mostrar (a crianças e adultos) que os limites são quase sempre maiores do que aquilo que imaginamos.
AAVC: Qual é a maior motivação que a levou a dirigir um clube? O que é que a move?
FV: O que me move é muito mais do que o desporto. É a possibilidade de mudar vidas através dele. O Trail Running entrou na minha vida como um desafio pessoal, mas rapidamente se transformou numa missão. Criar e dirigir um clube nasceu do desejo profundo de dar oportunidades, de formar pessoas antes de formar atletas, de mostrar às crianças e aos adultos que são capazes de ir mais longe do que imaginam. Move-me ver alguém ganhar confiança, recuperar a autoestima, encontrar um propósito. Move-me acreditar que o desporto pode ser um caminho de salvação, de equilíbrio e de felicidade.
Tornei-me responsável por um clube porque senti que não bastava correr… era preciso abrir caminho para outros. Porque percebi que o meu amor pelo trail só fazia sentido se fosse partilhado. O que me mantém ativa é ver o brilho nos olhos de uma criança quando termina a sua primeira prova, é receber uma mensagem de um atleta que voltou a acreditar em si, é sentir que o nosso trabalho deixa marcas boas.
AAVC: Que lições tenta ensinar aos atletas e treinadores à sua volta?
FV: Que ninguém vence sozinho. Que o sucesso se constrói com humildade, trabalho diário e caráter. Que perder também faz parte do caminho e que desistir não pode ser opção. Ensino que ser treinador ou atleta é ter responsabilidade sobre o exemplo que se dá, sobre as palavras que se usam e sobre as atitudes que se tomam. Acima de tudo, ensino que o desporto deve unir, nunca dividir. Para além do Atletismo / Trail quero ensinar respeito, disciplina, empatia, resiliência e responsabilidade. Quero formar seres humanos fortes por dentro, não apenas corpos preparados para competir.
AAVC: Qual é a parte mais difícil de gerir um clube e os seus atletas?
FV: Gerir emoções, expectativas e frustrações. Lidar com diferentes personalidades, com limitações financeiras, com falta de apoios e, muitas vezes, com incompreensão. É difícil quando damos tudo de coração e nem sempre somos entendidos. Mas continuo, porque acredito que vale a pena.
AAVC: Qual é o seu maior medo?
FV: O meu maior medo é falhar com aqueles que confiam em mim. É não conseguir proteger os valores do clube, não conseguir dar o exemplo certo às crianças e aos jovens. Tenho medo que o desporto perca a sua essência humana e se transforme apenas em resultados.
AAVC: Qual foi o seu momento favorito no atletismo?
FV: Foram muitos… mas os mais marcantes não foram pódios. Foram os momentos em que vi atletas meus superarem medos, lesões, tristeza, desistência. O momento em que uma criança diz “consegui”, ou quando alguém que estava perdido encontra novamente um rumo através do trail. Esses momentos ficam gravados para sempre.
AAVC: Vamos ouvir a voz da sabedoria: Qual é a sua frase do dia?
FV: “Nem o Céu é o Limite “quando o coração é maior do que o medo e a vontade é mais forte do que o cansaço.”
De personalidade empática, resiliente e guiada por fortes valores, Fernanda assume a responsabilidade de dirigir o seu clube com consciência do impacto que cada gesto, palavra e decisão pode ter na vida dos outros. O que a move é simples e poderoso: ver alguém acreditar novamente em si próprio e perceber que, quando o coração é maior do que o medo, nem o céu é o limite.
Para ficar a conhecer melhor a nossa Heroína, siga em:
Facebook:
https://www.facebook.com/profile.php?id=100091186040491
Instagram:
https://www.instagram.com/escolinhancl/